Ao mesmo tempo em que iam se tornando bruxa e dragão, os desentendimentos aumentavam. Desde que ele devorou as criadas, o castelo tornou-se obscuro e sujo. A bruxa, cansada de ter que fazer todo o serviço do castelo - incluindo recolher a pele dele que ele agora trocava mensalmente e não era capaz nem de recolher do chão, ou os fêmures humanos com que ele vivia no canto da boca e usava para palitar os dentes e fazer estalos desagradáveis - decidiu mudar-se para a torre mais alta do castelo. O dragão procurou então o calabouço mais profundo e lá se aninhou.
Agora ela vive rodeada de unguentos Renovare, poções Avonus, olhos de lagartixa, pêlo de camelo, intestinos de rato e outros ingredientes estranhos, como máscaras faciais de pepino, cremes redutores de expressão de babosa, ou contra celulite com cafeína, etc., sonhando com a princesa que fora, enquanto trama planos malignos envolvendo maçãs, rocas e venenos.
Ele amontoou seu tesouro no calabouço e dorme rodeado de ouro, com a grande barriga para cima, sonhando com cavaleiros bem passados e cavalos torradinhos, nem ligando para o seu colesterol alto, que já lhe rendeu 5 pontes de safena.
Mas essas informações não estão nos contos de fada, devido a uma política editorial muito conservadora nesse gênero. Está tudo na Condigo! do mês de agosto, onde você pode conferir também o escândalo envolvendo o Lobo-Mau e vídeos pornográficos infantis encontrados em sua toca.
